A síntese histórica da opressão feminina perdura por séculos, sendo ainda, frequentemente reproduzida por inúmeras e variadas culturas. As manifestações contrárias a posição social, política e cultural que a mulher sempre obteve, foram alguns dos aspectos fundamentais para as conquistas de alguns direitos, entretanto o que foi conquistado até agora não é suficiente. A mulher vivencia um combate explícito e árduo pela igualdade de gênero que não terminou e ainda tem muito a percorrer com muitos obstáculos a superar.
As mulheres foram submetidas ao silêncio e a submissão, ambos inseridos na maneira como a mulher sempre foi contada e vista por vozes masculinas, numa sociedade patriarcal padronizada. Estas, ignoradas por situações opressoras discriminatórias persuasivas, observou seu silêncio sendo induzido e exercido pelo pensamento masculino. Logo então, nos chega uma indagação: como escrever e promover uma história diferente da que foi sempre contada e conceituada por uma sociedade patriarcal preconceituosa e opressora?
Análogo as questões estratégicas do poder, da dominação masculina como princípio organizador e opressor, da legitimação do silêncio no cotidiano e da identidade naturalista carnal da mulher voltada para o corpo, a maternidade e o espaço doméstico, negou-se assim, a teoria do matriarcado. A situação da mulher era invisível revelando um pensamento e comportamento que as concebe como seres humanos inferiores, submissos e incapazes. Portava-se como mero pró-genitor da espécie, e situava-se longe do progresso feminista que posteriormente veio crescendo,circundando espaços e transformando pensamentos em defesa da identidade feminina e igualdade dos gêneros.
Num discurso paralelo, vemos o medo da indiferenciação sexual inserida no centro das crises identitárias masculinas adjacentes as respostas do assíduo combate feminino. Visto que, geralmente marcar a diferença é uma forma de garantir poder, demarcar espaço e persuadir idéias numa definição clássica de gênero moldada pela cultura. Refletindo assim, na reafirmação da força e hierarquia do homem como princípio fundamental irredutível, inquestionável e trivial ao pensamento e organização mundial.
A invisibilidade da mulher iniciou uma mudança notória a partir do século XX, onde começa a sair do monótono insignificativo e emergencial para ir ao pluralismo, passando, de objeto a sujeito. A Identidade feminina deve se procurar para encontrar o ser mulher e falar em nome de uma coletividade, rompendo a construção social e cultural da diferença dos sexos. A reivindicação de cidadania apóia o direito das mulheres de serem representadas enquanto tais em pleno exercício da constituição brasileira.
Surge uma nova educação mais justa com a finalidade de produzir mulheres mais esclarecidas e expressivas, fazendo com que as mulheres lutem por leis e direitos antes desconhecidos, reivindique e construa sua própria história longe da perseguição do legado patriarcal. Quebrando tabus como a divisão sexual do trabalho, a prostituição e os paradigmas da maternidade, virgindade e homossexualidade. São muitas as diferenças culturais, porém os problemas são contínuos e muito similares.
Conclui-se que se torna essencial tratar com seriedade e perseverança a questão somada a todos os suportes históricos culturais que levam a uma reflexão mais concisa em suas diversas facetas abordadas na promoção da igualdade de gênero. Não se pode construir uma identidade do nada, sem precedentes, influências, legados, sem história. Somos seres influenciados e constituídos pelo meio inserido, pelo contexto. Temos o dever de quebrar os silêncios, saber fazer o barulho almejado e o direito de não mais continuar quietos, relutando sem hesitar e recuar. Faz-se necessário pronunciar para que possamos, numa progressão, dizer em voz alta palavras corretas, com sentido adequado!
LARA BRUNELLY.